Filme recomendado – A Grande Aposta

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Estou introduzindo elementos da cultura popular nas aulas de economia para cursos como Direito, Administração e Engenharia. O cinema pode ser uma ferramenta eficiente para ilustrar processos econômicos e facilitar a compreensão da ciência econômica.

“A Grande Aposta” é um filme extremamente didático sobre o sistema financeiro. Lançado em 2015, ele traz uma perspectiva histórica essencial para analisar a crise dos subprimes, que teve início nos Estados Unidos em 2008 e se espalhou rapidamente pelo mundo.

Não é fácil explicar as particularidades do mundo financeiro, principalmente em mercados tão desregulamentados como é o mercado norte-americano, mas o filme faz isso utilizando o auxílio de algumas celebridades como Selena Gomez e Anthony Bourdain para explicar alguns conceitos básicos que dão a base para entender o que ocorreu na última grande crise do capitalismo.

O filme começa explicando a origem do problema: a desregulamentação do mercado financeiro norte-americano. Lá pelo final dos anos 70 e início dos anos 80, as regras sobre o mercado de títulos financeiros começaram a ser afrouxadas e, de certa maneira, o banco central americano perdeu o controle sobre a quantidade de títulos que existiam. No filme, um diálogo entre o personagem Mark Baum e um operador do mercado financeiro resume bem a situação quando Baum confirma sua hipótese de que o valor total do mercado de títulos hipotecários é maior do que o valor das próprias hipotecas. Não haveria liquidez para esses títulos e, assim, os bancos que estavam apoiados em tais ativos quebrariam.

E foi de fato o que aconteceu.

Não é a toa que as cenas onde os protagonistas percebem o tamanho do buraco em que a economia norte-americana se meteu ocorrem em um cassino, mostrando que o mercado financeiro atuava sobre uma base irracional naquele momento.

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A história central do filme gira em torno de um personagem real: Michael Burry. Ele era gestor de um fundo de investimentos na época e percebeu que a euforia que o mercado de títulos hipotecários vivia não era fundamentada pela realidade. Como ele percebeu? De uma forma trabalhosa, mas simples. Ele analisou a composição dos títulos chamados de sub-prime e percebeu que, em algum momento, as pessoas não conseguiriam pagar as hipotecas e, assim, os títulos perderiam valor. Em resumo, ele apostou, por meio de títulos financeiros, que o mercado imobiliário quebraria.

Mas o mais interessante no filme é que, diferente de outros bons títulos produzidos sobre o tema, ele aponta as consequências reais que o mercado financeiro tem sobre a vida das pessoas. Em uma cena que ocorre na saída do cassino em Las Vegas, os personagens Jimmy e Vinny comemoram a operação de venda de títulos que eles fizeram. Agora era só esperar o mercado imobiliário entrar em colapso e eles ganhariam alguns milhões de dólares. Durante a dancinha de comemoração, Ben Rickert – vivido por Brad Pitt – interrompe os dois e chama a atenção de que a riqueza que os dois terão é consequência da quebra da economia real e que isso levará a perdas de economias de pessoas que, a princípio, nada tem a ver com isso. “Um aumento de 1% na taxa de desemprego significa que 40.000 morrerão”, diz ele.

Essa cena, somada aos questionamentos morais de Mark Baum sobre o capitalismo, ilustra muito bem que o lado financeiro e o lado real da economia estão ligados e que eles não atuam de forma equilibrada. Sem uma regulamentação, o mercado financeiro tende a entrar em crise.

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Aliás, Michael Burry aposta em uma nova crise atualmente.

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